Mesmo com a sa?da liberado por morador, motorista relata constrangimento ao negar que agentes particulares revistassem seu ve?culo

Um motorista de Uber afirma que ficou retido por quase três horas depois de se recusar a deixar que seguranças de um condomínio fechado fizessem revista em seu carro. O caso ocorreu na tarde do último domingo (3/7), no Alphaville Araguaia, em Goiânia, mas, segundo o relato, é recorrente em outros condomínios horizontais.

Ao Jornal Opção, o denunciante Romualdo Duarte contou que entrou no condomínio com o passageiro pela entrada de moradores. Ao entrar, além de registrar a senha, o morador deixou avisado na portaria para que a saída do veículo fosse liberada. Porém, na hora de sair, o motorista foi barrado. Segundo ele, os seguranças do condomínio pediram para realizar revista no porta malas do carro.

“Me senti ofendido e constrangido e, por mim, não aceito mais corridas de moradores de condomínios horizontais. Neste caso, fui deixar um passageiro, mas fiquei retido por quase três horas por me recusar a deixar que fizessem revista. Mesmo que existam regras no condomínio, eles não têm autoridade para isso”, desabafou.

Segundo ele, não houve qualquer justificativa por parte da segurança sobre o porquê da revista. O caso foi resolvido depois que o próprio motorista acionou a Polícia Militar. Os agentes públicos realizaram a revista no veículo que, em seguida, foi liberado. A reportagem entrou em contato com a administração do Alphaville, que afirmou não ter conhecimento sobre o ocorrido e, por isso, preferiu não se pronunciar. Por telefone, a administração também se recusou a prestar esclarecimentos sobre a política de segurança do condomínio.

“Não acho que tenha a ver com o fato de ser motorista do Uber, mas outros colegas já relataram a mesma experiência: seguranças de condomínios horizontais que realizam revistas de forma arbitrárias mesmo sem o levantamento de qualquer suspeita. Acho que o problema é a política interna de segurança dos condomínios fechados”, relata motorista.

Duarte afirma que registrou tudo em vídeo e que prestará queixa sobre o caso à polícia. Segundo assessoria da Polícia Civil, a ocorrência não foi registrada, pois a delegada titular do 23º Distrito Policial não estava no local na manhã desta segunda-feira (4/7) e o denunciante foi orientado a voltar na parte da tarde para que a titular possa analisar como o caso será tipificado. “A delegada deverá analisar qual infração penal será registrada no inquérito. Se cabe injúria, calúnia constrangimento, ou qualquer outra”, informou a assessoria.